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Equity crowdfunding: saiba como o pequeno investidor pode apostar no crescimento de startups

Segundo especialistas, o mercado de equity crowdfunding pode ganhar impulso em 2022 com o desenvolvimento de ‘bolsa’ que ofereça liquidez às participações nas startups.


Pexels

Historicamente, para investir em uma startup era preciso ter um capital elevado ou acesso privilegiado para apostar em novos negócios. Mas o cenário começou a mudar com a popularização de plataformas de equity crowdfunding, voltada para pequenos investidores que desejam se juntar para financiar o crescimento de uma empresa nova em troca de participação no negócio.


Segundo levantamento feito pela plataforma Efund, com base em dados da Comissão de Valores Imobiliários (CVM), os investimentos por meio de crowdfunding aumentaram 140% em 2021, para 204 milhões de reais. Foram 116 ofertas realizadas.


A expectativa da casa é que o volume levantado chegue a 300 milhões de reais neste ano.


A modalidade está em expansão no principal mercado americano, o maior do mundo. O volume captado por plataformas americanas de crowdfunding saltou 40,9% no último ano e totalizou 442,6 milhões de dólares, segundo a Crowdfunding Capital Advisors.


Como funciona o equity crowdfunding


Startups precisam de capital para financiar sua rápida expansão. Normalmente, seus maiores financiadores são fundos de venture capital com centenas de milhões de dólares em caixa, com recursos que, por sua vez, foram captados junto a grandes investidores.


O equity crowdfunding permite que pequenos investidores se juntem para acessar o mercado privado.


Funciona assim: a startup faz uma oferta pública por meio de uma plataforma, na qual o investidor consegue adquirir uma participação societária do novo negócio unindo seu capital ao de diversos outros interessados.


“Um investidor entra com 2.000 reais, um segundo com 15.000 reais, um terceiro com 50.000 reais e assim por diante. A maior parte dos nossos investidores são pessoas físicas e o tíquete médio desse investimento fica entre 8.000 reais e 10.000 reais por oferta”, afirma Camila Nasser, CEO do Kria, primeira plataforma voltada para investimentos em startups no Brasil.


Retorno, riscos e falta de liquidez


A possibilidade de se tornar sócio de uma companhia ainda em seus estágios iniciais e obter retornos exponenciais com o desenvolvimento do negócio é o principal chamariz desse tipo de investimento.


Os lucros podem girar em torno de cinco a dez vezes o valor do aporte no caso de empresas que conseguem se firmar. O potencial de retorno, porém, é proporcional ao risco de investir em empresas que ainda não atingiram o estágio de maturidade que se vê na bolsa de valores.


A recomendação de especialistas é que não se invista mais de 5% do patrimônio nesse tipo de operação. Para mitigar as perdas, as startups costumam passar pelo crivo de analistas e investidores experientes antes de serem disponibilizadas pelas plataformas de crowdfunding.


“Chegamos a conhecer mais de 450 startups e selecionamos apenas seis para lançar rodadas de investimento”, afirma Igor Romero, fundador da plataforma Efund.


Modelo de negócios, experiência dos sócios, faturamento e tamanho do mercado estão entre os pontos analisados na hora de escolher as startups que serão abertas para captação.


Outro ponto fundamental é a liquidez, determinante para o resgate do valor investido. Para obter lucro com o investimento, é preciso esperar o que é conhecido no mercado como um “evento de liquidez”. Ou seja, o momento em que o investidor consegue vender sua participação na startup.


As formas mais comuns são quando a empresa é adquirida por outro negócio ou quando alcança o raro estágio de abrir o capital na bolsa. Entre o investimento e um possível retorno, a espera pode chegar a quatro anos.


Mudanças no mercado de equity crowdfunding


O próximo passo para desenvolver o mercado de equity crowdfunding é diminuir o tempo de espera entre o investimento e o retorno. A mudança pode começar a acontecer ainda neste ano, com o desenvolvimento de um mercado secundário de negociação dessas participações societárias, como uma "bolsa de startups".


“Isso permite que o investidor venda a participação sem ter que carregar o investimento até uma fusão ou um IPO [oferta pública inicial de ações]. É algo que vai impulsionar muito o mercado, abrindo as portas para que qualquer um consiga investir em empresas desde sua fundação. É o passo que falta para democratizar o investimento em startups”, defende Nasser, do Kria.


O caminho, porém, será percorrido gradualmente. A CVM estuda a possibilidade de negociações no mercado secundário, mas com viés mais conservador, permitindo que as plataformas possam intermediar transações entre investidores que tenham participado de uma ou mais ofertas do mesmo emissor.


Ou seja, investidores que investiram na mesma empresa poderiam negociar suas participações por meio da plataforma.


O assunto foi debatido em audiência pública com o mercado e a divulgação da atualização da norma está programada para 2022.


Fonte: Portal Contábeis com informações da Exame Invest

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