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Open Finance: diretor do BC admite problemas nas trocas de informações previstas no sistema

Diretor do Banco Central diz haver desafios na comunicação entre instituições financeiras.

Foto: Marcello Casal Jr /Agência Brasil

Nesta terça-feira (5), o diretor de Regulação do Banco Central (BC), Otavio Damaso, admitiu que o Open Finance ainda não está funcionando como deveria. Isso porque, ele comenta que foram identificados alguns entraves na comunicação entre as instituições financeiras. O projeto é evolutivo do Open Banking.


"Ele [open banking] está funcionando a pleno vapor? Ainda não. A gente ainda tem alguns desafios que estão passo a passo sendo endereçados, o principal ponto é a questão da consistência das informações que estão sendo trocadas entre as instituições", afirmou.


"A gente ainda tem alguns problemas de inconsistências, que a área de supervisão está tratando caso a caso. Mas essas informações já estão circulando, e os bancos já estão usufruindo dessas informações para entender cada vez melhor o comportamento e as demandas do seu cliente", acrescentou.


No evento Open Banking 2022, promovido pelo Instituto Brasileiro de Estudos de Concor­rência, Consumo e Comércio Internacional (Ibrac), Damaso ainda destacou que as APIs (interfaces de comunicação) precisam estar "100% ajeitadas" para a informação fluir com qualidade.


A comunicação é a base do open finance, que prevê a integração de serviços não bancários ao modelo, ampliando o compartilhamento de dados pessoais, bancários e financeiros entre instituições –mediante autorização prévia do cidadão– para variados setores, incluindo seguradoras, corretoras de investimentos, câmbio e previdência.


Prazos apertados


O diretor do BC reconheceu que o prazo estipulado para a implementação do sistema foi "apertado" e "audacioso", dada a amplitude do projeto brasileiro, o que trouxe desafios adicionais para a autoridade monetária.


"O escopo do open finance no caso brasileiro foi bem maior do que em outros países, e um prazo de implementação muito mais curto. O prazo talvez tenha sido muito apertado para o tamanho do projeto que a gente gostaria de implementar no Brasil, esse é um ponto que fica como lição nossa", afirmou.


Segundo Damaso, o open finance conta hoje com 5 milhões de consentimentos ativos. Isso significa que 5 milhões de clientes já autorizaram que suas informações transitem entre instituições financeiras.


O modelo também soma 700 milhões de chamadas de API por mês e tem de 700 a 800 instituições participantes do ecossistema, sendo algumas de forma voluntária, além de cinco iniciadoras de pagamento autorizadas e em funcionamento.


Futuramente, a autoridade monetária planeja uma integração maior do sistema financeiro aberto com o Pix, com o registro de recebíveis e com a moeda digital, que ainda está em desenvolvimento. "Essa integração vai trazer mais eficiência para todos esses produtos", disse.


Para o diretor do BC, o open finance representa uma "revolução" no sistema financeiro, de forma que alguns efeitos positivos serão sentidos apenas "daqui cinco ou dez anos".


Fonte: Portal Contábeis com informações da Folha de S.Paulo

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